Monday, April 30, 2007

 
SONETO RESPOSTA #8

Cachorro já fui, Pinto, uma porção
de vezes nos sonetos, mas agora
você me domestica e corrobora
que estou mesmo fadado a ser um cão.

Na rua sei que até fezes estão
no meu caminho, e o Pinto, é claro, adora.
Em casa é que, porém, só "Passa fora!"
terei de ouvir, às ordens do mandão.

Seu tênis tirarei usando a fuça
e a meia com o dente, abocanhando
mais leve do que os lábios duma buça.

Chinelos buscarei, a seu comando,
mas, antes de calçá-los, o que aguça
meu faro é o pé, que lavo, a língua usando.

Glauco Mattoso, 11/03/2007

Thursday, April 19, 2007

 
CANINO

Depois de te fazer de cavalinho,
vou te por no pescoço uma coleira,
e na cara terá uma focinheira,
sendo, a partir de então, meu cachorrinho.

É cego, mas fará pelo caminho
o inverso, e vai guiar-me pela feira,
fuçando toda a xepa, caso queira
escapar de um tabefe no focinho.

Vai comer e beber numa tigela
de sobras que derribem-se da mesa,
vai limpar sua própria borradela

co’a língua, e ganhar osso à sobremesa.
E, pra não esquecer quem é que manda,
pontapés vai tomar da bunda à banda!

Leo Pinto, 10/03/2007

Wednesday, April 18, 2007

 
SONETO RESPOSTA #7

Caramba! Dos Esteites já li fato
igual, Pinto, em que o "loser" é montado,
apanha e, na charrete ou num arado,
atrelam-no, a puxar um "boy" gaiato.

Você daria, então, o mesmo trato
ao cego? Montaria ou como gado
iria utilizar este coitado?
Fazer o quê? Você manda, eu acato!

Me vejo, já, na rua, escuto o riso
feliz dos seus colegas de gandaia,
e a cena americana aqui repriso.

Suporto o peso, sirvo de cobaia,
se assim você se sinta mais Narciso
que nunca, e o velho cego a troça atraia!

Glauco Mattoso, 10/03/2007

Tuesday, April 17, 2007

 
CAVALGANTE

Não só o ranho eu vou dar ao ancião
a quem me irmano, mas todo o detrito
que em mim houver, e, então, Bocage, imito:
em ti mijo e em ti cago, ó, caro irmão!

No entanto, novidades já não são
tais dejeções. Agora, pois, cogito
o que fazer pra tê-lo mais aflito,
mais aos meus pés e mais na minha mão...

Talvez dele fazer cavalgadura
em meus passeios públicos seria
idéia nada má, mordaz tortura

a instigar a choldra zombeirona
a troçá-lo à vontade, e inda eu iria
a quem quisesse, conceder carona!

Leo Pinto, 09/03/2007

Monday, April 16, 2007

 
SONETO RESPOSTA #6

Então você me vê como seu mano,
mas brinca com meu ego, achando graça,
fazendo o que, entre irmãos, é só pirraça,
mas entre um são e um cego é desumano!

Até sua meleca, nesse plano
sarcástico, terei de achar que passa
por néctar salgadinho? Então me faça
comer seu ranho, e ria se eu me dano!

Catota, mole ou dura, verde ou branca,
será sempre a ração mais asquerosa:
só mesmo o azedo vômito a desbanca.

Assim, você se assoa e uma viscosa
porção me faz comer, senão, me espanca:
o irmão mais velho pena e o novo goza!

Glauco Mattoso, 09/03/2007

Friday, April 13, 2007

 
FRATERNO

Irmãos de bosta nos tornamos eu
e o cego paulistano, após meu barro
formar em suas tripas um chibarro
dejeto, estando o meu junto do seu.

Destarte, mais ainda se fodeu
meu mano, pois, agora, bem mais charro
serei com ele: desde o meu catarro
ao vômito acompanharão seu breu.

Eu hei de ser-lhe, em vez do irmão pirralho
que sempre apanha, um sádico carrasco:
usarei o seu bucho de assoalho,

calçarei suas bolas com meu casco,
e, enfim, numa demanda fraternal,
latrinário farei o seu bucal.

Leo Pinto, 08/03/2007

Wednesday, April 11, 2007

 
SONETO RESPOSTA #5

Após na boca eu ter do Pinto um chute
levado, o meninão quer que eu me preste
a um novo brinquedinho: agora o teste
é o ato anal que, ordena, eu execute.

Se o Pinto manda, o cego não discute:
seu troço, que está duro como a peste,
será o supositório que moleste
meu reto, inda que eu nada, assim, desfrute.

Estou já vendo a hora em que ele invente
algum outro brinquedo: de mictório
fazer a minha boca! À sua frente

me ponho de joelhos e o inglório
dever de deglutir-lhe o mijo quente
dará mais gosto ao Pinto que eu adore-o.

Glauco Mattoso, 03/03/2007

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